Sempre acreditei que para se chegar em algum lugar o primeiro passo é saber ONDE é esse lugar, parece meio absurdo, mas muita gente passa a vida inteira correndo atrás de algo que não consegue definir o que é e muito menos onde está. Eu sempre fiz planos, gosto de planejar, fazer listas e principalmente, riscar objetos dessas listas! Quando eu tinha 10 anos eu me via na faculdade e indo morar sozinha aos 17 anos, foi exatamente o que aconteceu, mesmo que o curso escolhido tenha mudado 1 vez a cada 3 meses durante esse tempo e que a minha decisão final tenha surpreendido todo mundo inclusive a mim mesma (mas cara, não poderia estar fazendo outra coisa no mundo, amo o que eu faço com todo o meu coração), enfim, tracei planos e corri atrás do meu objetivo. Na faculdade, tinha o objetivo de me formar com um bom currículo e fazer residência na sequência, mas a vida me obrigou a traçar novos planos, reconsiderar minhas prioridades, e foi o que eu fiz. Foquei meu objetivo em conseguir um bom emprego, pagar contas, organizar minha vida financeira, retribuir um pouco o que meus pais e meus irmãos fizeram por mim, e foi assim que cheguei em Itatiaiuçu. Pode parecer prepotência, mas mesmo antes de fazer a prova para vir trabalhar aqui, durante uma sessão de terapia, minha psicóloga me perguntou o que eu estaria fazendo nos próximos anos, e eu respondi que iria trabalhar (em Itatiaiuçu) por 2 anos e que no segundo ano faria MEDCURSO. Até agora o plano está sendo seguido. Mas pela primeira vez durante toda minha vida, estou seguindo um plano que o objetivo não é claro pra mim, não consigo me ver onde quer que eu deveria estar me vendo. Eu aprendi que é preciso visualizar para depois alcançar. Mas eu olho pra frente e não vejo nada! O próximo objetivo da minha lista é a residência, mas vejo a residência como uma ponte para o sucesso profissional (meu tão sonhado objetivo inicial), mas como continuar buscando por algo que eu sinto que eu já alcancei? Sou feliz no meu emprego, meus pacientes gostam de mim, meus colegas gostam de mim, minha rotina é feliz, eu gosto das pessoas que eu conheci, gosto do quanto eu aprendi e gosto do quanto me sinto útil para as pessoas. No início não foi fácil, é verdade, exercer minha profissão deu medo, me exigiu uma confiança que eu não tinha (e por vezes ainda não tenho!) mas que foi sendo (e está sendo) construída a cada dia. Quando minha rotina foi virada de ponta cabeça depois do início da pandemia do coronavirus, e cada dia se tornou uma surpresa, um ócio sem produtividade, eu percebi ainda mais o quanto eu amava minha rotina e o quanto eu não sei onde eu quero chegar. Estou disposta a abrir mão de tudo o que eu tenho hoje? O que eu estou buscando?

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