Há alguns dias eu venho construindo dentro de mim o sentimento de amor próprio. Se amar, muitas vezes, envolve atos egoístas. Colocar a felicidade dos outros acima da sua própria parece muito bonito nos livros e séries, mas viver isso no dia-a-dia, pro resto da sua vida, não me parece nem um pouco justo.

Há um tempo eu descobri que eu não era feliz, mas que eu fazia alguém muito feliz. E olha, aquela história piegas de que só isso já basta para sentir felicidade, não colou comigo não. Resolvi ir atrás da minha felicidade. Não joguei todos os nossos momentos alegres no lixo, nós tivemos sim esses momentos, vários (mas cada vez menos frequentes, caso você não tenha percebido).

Mas a felicidade não seria uma sucessão de momentos alegres? Pra mim, é mais do que isso. Felicidade é o sentimento que fica, para além da alegria. É como uma linha de base positiva do humor, que oscila para momentos alegres (ainda mais positiva) e outros tristes (negativa). Minha linha de base estava neutra. Eu ficava alegre se eu tinha motivo pra tal, mas quando o momento passava, eu me sentia vazia, nem triste, nem alegre e nem feliz.

Não quero mais conversar. Quero ser egoísta. E permito que você me odeie se isso torna as coisas mais fáceis para você. Sentimentos (no caso, a minha ausência de felicidade), a gente não justifica, não contabiliza, não racionaliza. Não tenho mais energia pra tentar te fazer entender isso. 

Minha felicidade é meu objetivo. Vou atrás dela. Vá atrás da sua também.


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