"o livro mais importante da vida, tem apenas duas páginas, a primeira delas devemos ler quando tudo está dando errado e nela está escrito 'isso vai passar", a segunda devemos ler quando tudo está bem e nela está escrito 'isso também vai passar'. "
Li e reli essa frase várias vezes, tentando internalizar seu significado. Mas quando eu fecho meus olhos só vejo o rosto dele, todo machucado, mas tão bonito, tão sereno, vejo suas unhas compridas para tocar violão que eu tanto impliquei e sua risada tímida que vai me fazer tanta falta. Nenhuma mãe, principalmente uma tão dedicada, merece passar por isso. Enterrar o filho tão jovem. Quanta dor. Meu Deus, por que?
Eu quero acreditar que existe um propósito, que existe um depois e que existia uma missão que já havia sido cumprida. Mas tá difícil, tá doendo. Já perdi outras pessoas, mas em todas elas em encontrei consolo no processo natural da vida. As pessoas nascem, crescem, envelhecem e morrem.
As pessoas deviam morrer depois de ter vivido. Não assim.
Sempre consegui ver Deus nas cores do céu ao entardecer, no azul celeste profundo que dá a sensação de infinito e nas estrelas que parecem ser mágicas quando não há nada criado pelo homem brilhando por perto. Sempre consegui ver Deus em cada mulher que se descobre grávida -- não há nada mais incrível que o funcionamento do corpo humano e nada parece mais improvável quando tentamos estudar a fisiologia, do que uma gestação chegar ao fim. Sempre vi Deus nos detalhes e nas improbabilidades da vida. Mas como pode existir um Deus que faz uma mãe sofrer dessa forma? Que faz tantas famílias sofrerem dessa forma? O que eu tenho de diferente do meu amigo para que o Senhor me permita continuar vivendo e ele, tão jovem quanto, ter parado de respirar?
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