Como se sentir capaz de lidar com o fim da vida se além dela parece haver apenas o vazio e escuridão, a inexistência? Como consolar alguém que está em processo de morte se não há esperança de algo além? Como se colocar no lugar do outro quando esse lugar parece tão tão desconfortável?
Eu me enganei durante muitos anos, eu dizia pra mim mesma que eu escolhi a medicina por que eu queria cuidar. Balela! O que eu sempre quis era saber as respostas, era resolver os problemas, cada queixa, cada dor, era um novo enigma que desafiava a minha inteligência (tão superestimada por mim durante os meus agora 26 anos). E quando o enigma não tem resposta? ou pior, e quando o problema não tem solução?
sinto vergonha em admitir até pra mim mesma que meu sofrimento não é por essa família que está prestes a perder um ente querido ou por essa pessoa que está com dor e em processo de morte. meu sofrimento é pelo meu sentimento de fracasso, pela sentimento de ter falhado como médica, de ter falhado em minha missão de promover saúde e em realizar diagnóstico precoce. e mais ainda eu sofro por perceber o quanto sou egoísta e o quanto meu EGO frágil consome espaço dentro de mim.
Não quero ser essa pessoa. Não vou ser essa pessoa.
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