E o covid venceu mais uma vez, parece um pesadelo que não tem mais fim. Perdi minha vó Lia. Minha vozinha era aquela típica Vovó de desenho animado, que sempre queria te oferecer uma quitanda ou um prato de comida, mesmo que fora do horário, por que pra ela a gente sempre tava "muito magrinho" ou com "o olho fundo" precisando de uma boa refeição hahah 
Toda visita que chegava era igual a fazer um café fresquinho ☕
Com ela aprendi que com amor qualquer refeição pode se transformar num banquete. E o melhor bolo de todos é o dela, apesar de ter anotado a receita pelo menos umas 5x eu nunca consegui reproduzir, por que o ponto da massa é "no olho", e a proporção dos ingredientes variava de acordo com a disponibilidade da geladeira hahah


Minha avó era a contradição mais deliciosa que já existiu, era Católica praticante, devota de Nossa Senhora, mas amava tentar ler a sorte nas cartas, na borra do café e até no búzios (tentamos uma vez! Hahah). Ela tinha uma simpatia para cada problema que você tivesse e ela tinha certeza absoluta que o neném da minha irmã era menino por que o "pêndulo nunca erra". 

Com ela eu aprendi uma oração que uso sempre que estou com medo "são Bento, água benta, Jesus Cristo no altar, tire todo o mal do meu caminho e me deixe passar"...depois de recitar essas palavras simples, mas de muita fé, me sinto invencível e capaz de enfrentar todos os desafios, seja ele uma rua escura ou o primeiro dia no emprego novo.  

Foi por causa dela que aprendi a gostar de gatinhos e abri meu coração pro Sr Gato Fumaça. 

Minha vó era pura luz, era a alma mais gentil, caridosa e altruísta que eu tive o prazer de conviver.  Vai deixar saudades, mas também deixou muitos ensinamentos, e sou grata a Deus pelos anos que passamos juntas. 



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