"o livro mais importante da vida, tem apenas duas páginas, a primeira delas devemos ler quando tudo está dando errado e nela está escrito 'isso vai passar", a segunda devemos ler quando tudo está bem e nela está escrito 'isso também vai passar'. " Li e reli essa frase várias vezes, tentando internalizar seu significado. Mas quando eu fecho meus olhos só vejo o rosto dele, todo machucado, mas tão bonito, tão sereno, vejo suas unhas compridas para tocar violão que eu tanto impliquei e sua risada tímida que vai me fazer tanta falta. Nenhuma mãe, principalmente uma tão dedicada, merece passar por isso. Enterrar o filho tão jovem. Quanta dor. Meu Deus, por que? Eu quero acreditar que existe um propósito, que existe um depois e que existia uma missão que já havia sido cumprida. Mas tá difícil, tá doendo. Já perdi outras pessoas, mas em todas elas em encontrei consolo no processo natural da vida. As pessoas nascem, crescem, envelhecem e morrem. As pessoas deviam mo...
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Como se sentir capaz de lidar com o fim da vida se além dela parece haver apenas o vazio e escuridão, a inexistência? Como consolar alguém que está em processo de morte se não há esperança de algo além? Como se colocar no lugar do outro quando esse lugar parece tão tão desconfortável? Eu me enganei durante muitos anos, eu dizia pra mim mesma que eu escolhi a medicina por que eu queria cuidar. Balela! O que eu sempre quis era saber as respostas, era resolver os problemas, cada queixa, cada dor, era um novo enigma que desafiava a minha inteligência (tão superestimada por mim durante os meus agora 26 anos). E quando o enigma não tem resposta? ou pior, e quando o problema não tem solução? sinto vergonha em admitir até pra mim mesma que meu sofrimento não é por essa família que está prestes a perder um ente querido ou por essa pessoa que está com dor e em processo de morte. meu sofrimento é pelo meu sentimento de fracasso, pela sentimento de ter falhado como médica, de ter ...
A única certeza da vida
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Alguns livros marcam a gente para a vida inteira e um deles, pra mim, é 'A menina que roubava livros'. O livro é maravilhoso, mas admito que minha parte favorita é o prólogo. Esse texto conversa tanto comigo no momento que estou vivendo que quero trazer alguns trechos para que essa reflexão não seja perdida na memória. "Prólogo - A Menina Que Roubava Livros UMA CORDILHEIRA DE ESCOMBROS ONDE NOSSA NARRADORA APRESENTA: ela mesma as cores e a roubadora de livros MORTE E CHOCOLATE Primeiro, as cores. Depois, os humanos. Em geral, é assim que vejo as coisas. Ou, pelo menos, é o que tento. • EIS UM PEQUENO FATO • Você vai morrer. Com absoluta sinceridade, tento ser otimista a respeito de todo esse assunto, embora a maioria das pessoas sinta-se impedida de acreditar em mim, sejam quais forem meus protestos. Por favor, confie em mim. Decididamente, eu sei ser animada, sei ser amável. Agradável. Afável. E esses são apenas os As. Só não me peça para ser simpática. Simpatia não tem...
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Acho que todo mundo tem algumas pessoas favoritas no mundo, não são só aquelas pessoas que a gente mais ama, por que para mim, é possível amar alguém e não gostar da pessoa -- isso pode ser tópico para outro dia. Como eu ia dizendo, não são só as pessoas que a gente mais ama, mas sim, aquelas pessoas que te deixam feliz só por existir, que têm o abraço mais aconchegante e com mais cheirinho de lar de todos os abraços. Tenho sorte de ter algumas pessoas assim na minha vida. E durante todo o ano de 2020 todos os meus pesadelos e toda a minha angústia estava direcionada ao medo de perder essas pessoas. Chorei muito por antecipação. E logo que 2021 se iniciou, fui soterrada por uma avalanche de notícias ruins, as minhas pessoas favoritas no mundo resolveram ficar doentes, todas ao mesmo tempo . Sinto tanta dor que não sei mais o que é físico e o que é emocional, não sei mais se a falta de apetite ainda é consequência do COVID ou se é de tristeza e preocupação. Sabe aquelas...
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Estou sentada no chão da sala, com o estômago embrulhando e estreando meu novo notebook para escrever esse texto. Meu antigo tinha pelo menos 10 anos de uso e 2 teclas a menos, mas me servia muito bem obrigada. Tive que ceder às convenções sociais e abandonar meu velho companheiro em troca de algo mais moderno, leve e funcional (humpf, quem precisa de funcionalidade?!?). Enfim, esse não é o motivo da náusea. Faltam poucas horas para que eu comece uma prova que pode mudar completamente minha vida, se você já leu algum dos meus textos, você deve ter percebido que eu não sou uma das pessoas mais adeptas à mudanças. Gosto dos meus velhos conhecidos, dos amigos da escola, do pijama rasgado, da calça esfolada e do computador faltando teclas. Gosto de aventuras, é verdade, inclusive me considero uma pessoa corajosa, mas gosto ainda mais de voltar à rotina, gosto das aventuras curtas, de primeiras(e únicas) vezes, e principalmente, de risco controlado. Essa coisa de se jogar sem calcular ...
Sem resposta
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São nos pequenos gestos e nas atitudes do dia dia que se consegue fazer com que o amor floresça, mas mesmo depois de forte e crescido ele ainda precisa ser cuidado diariamente. Não adianta adubar e regar se em alguns momentos você joga sal no solo, mesmo que só um pouquinho, mesmo que sem perceber, esse sal acumulado acaba sobrepondo o adubo e matando a planta. Não sou entendedora de solos, e me desculpem se meus conceitos agrícolas estão errados, não é disso que se trata. Estou dizendo que as pequenas coisas, as coisas bobas e simples do dia dia destroem lentamente algo que demorou anos para ser construído. O sentimento de algo errado vem me perseguindo há um tempo, mas quando me questionam sobre o que eu quero, o que me faz infeliz e insatisfeita eu não tenho resposta. Comecei a procurar, a tentar entender meus sentimentos... Sigo procurando. Sigo sem resposta.
Esta Velha Angústia
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Venho pensando em um modo de colocar em palavras os sentimentos que tanto me afligem nos últimos meses, mas ao ter sido colocada diante do poema de Álvaro Campos ( heterônimo de Fernando Pessoa) chamado Esta Velha Angústia, eu percebi que as palavras que me faltaram foram encontradas pelo autor. Álvaro de Campos Esta Velha Angústia Esta velha angústia, Esta angústia que trago há séculos em mim, Transbordou da vasilha, Em lágrimas, em grandes imaginações, Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror, Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum. Transbordou. Mal sei como conduzir-me na vida Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma! Se ao menos endoidecesse deveras! Mas não: é este estar entre, Este quase, Este poder ser que..., Isto. Um internado num manicômio é, ao menos, ...