Hoje me lembrei deste texto que escrevi no inicio desse ano. Resolvi publicar para que ele não se perca.
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Hoje era ao mesmo tempo um dia como qualquer outro e era também o dia mais importante da vida de alguém... engraçado como uma dicotomia tão grande pode caber na mesma sala.
A sala era apertada, tive que ficar só na portinha, bisbilhotando, apesar do cheiro de sangue, a expectativa e a felicidade que contagiavam a sala me convidavam a entrar, a cada momento me aproximava um pouco mais. Mas me mandaram ficar na porta, do lado de fora, e eu tinha que me esforçar pra permanecer com isso em mente. Queria participar. A atmosfera estava tão leve, o clima tão bom! Ouvi uma voz perguntando “como vai chamar a primeira?” “Maria Júlia” alguém respondeu de algum lugar. Admito que não é uma cena bonita, nós viemos ao mundo, sujos, roxos e ensanguentados, mas quando Maria Júlia chorou pela primeira vez, todos na sala sorriram, que sentimento maravilhoso! Uma vida havia acabado de nascer! Ainda sorrindo e pensando como seria a vida daquela criaturinha, escuto alguém dizer “e a outra? Qual vai ser o nome?” Eu já não me aguentava de alegria! A euforia no ambiente era palpável. Mas tinha alguma coisa errada, a outra Maria, não consigo me lembrar o segundo nome, estava sentada e foi trazida para fora de sua mãe de um jeito não usual, com a bunda virada para a lua, como diriam os antigos. Não consigo descrever o quão abrupta foi a mudança na atmosfera, os sorrisos se desmancharam, e de repente, a morte ganhou o lugar da vida. Ficamos esperando ansiosos pelo choro da segunda criança, mas ele não veio. Me peguei pedindo a Deus que fizesse algo por ela. Que não deixasse Maria Júlia sozinha nesse mundo ingrato. A equipe foi impecável, os procedimentos foram executados com maestria, mas nascer com a bunda virada pra lua não significou sorte para aquela criança. Ou as vezes, ela teve mais sorte que a gente imagina.
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Hoje era ao mesmo tempo um dia como qualquer outro e era também o dia mais importante da vida de alguém... engraçado como uma dicotomia tão grande pode caber na mesma sala.
A sala era apertada, tive que ficar só na portinha, bisbilhotando, apesar do cheiro de sangue, a expectativa e a felicidade que contagiavam a sala me convidavam a entrar, a cada momento me aproximava um pouco mais. Mas me mandaram ficar na porta, do lado de fora, e eu tinha que me esforçar pra permanecer com isso em mente. Queria participar. A atmosfera estava tão leve, o clima tão bom! Ouvi uma voz perguntando “como vai chamar a primeira?” “Maria Júlia” alguém respondeu de algum lugar. Admito que não é uma cena bonita, nós viemos ao mundo, sujos, roxos e ensanguentados, mas quando Maria Júlia chorou pela primeira vez, todos na sala sorriram, que sentimento maravilhoso! Uma vida havia acabado de nascer! Ainda sorrindo e pensando como seria a vida daquela criaturinha, escuto alguém dizer “e a outra? Qual vai ser o nome?” Eu já não me aguentava de alegria! A euforia no ambiente era palpável. Mas tinha alguma coisa errada, a outra Maria, não consigo me lembrar o segundo nome, estava sentada e foi trazida para fora de sua mãe de um jeito não usual, com a bunda virada para a lua, como diriam os antigos. Não consigo descrever o quão abrupta foi a mudança na atmosfera, os sorrisos se desmancharam, e de repente, a morte ganhou o lugar da vida. Ficamos esperando ansiosos pelo choro da segunda criança, mas ele não veio. Me peguei pedindo a Deus que fizesse algo por ela. Que não deixasse Maria Júlia sozinha nesse mundo ingrato. A equipe foi impecável, os procedimentos foram executados com maestria, mas nascer com a bunda virada pra lua não significou sorte para aquela criança. Ou as vezes, ela teve mais sorte que a gente imagina.
:*
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