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A época que me deixa mais feliz é o fim do ano, adoro fazer planos para a ceia, os preparativos, a comilança, as roupas novas, as maquiagens, o amor que parece se espalhar no ar. Mas esse ano as coisas foram diferentes. Ninguém estava muito animado com os preparativos, ninguém tava fazendo questão de escolher uma roupa bonita. A receita inovadora não saiu como esperado. A comida tinha sabor de sobrepeso. A gordura tinha gosto de infarto. O dia 31 de dezembro amanheceu nublado, triste, e apesar dos sorrisos no rosto e da cerveja no copo, o céu parecia refletir com mais sinceridade o sentimento das pessoas do que seus próprios rostos. O luto provoca reações estranhas na gente. De repente estamos rindo de uma piada engraçada e no segundo seguinte pensamos o quanto o tio teria rido se ouvisse a piada (a risada dele era sensacional), e o quanto gostaríamos que ele estivesse ali pra ouvir e quando nos lembramos que ele não está, dói tanto!  Não entendo por que estou sofrendo assim, a g...
Sentimento estranho. Parece que não é real. Quando temos que lidar com fragilidade da vida todos os dias era de se esperar ela não nos surpreendesse. Entretanto, quando recebi a ligação da minha mãe dando a noticia da morte de alguém da minha família, fiquei sem chão. Morrer é natural, a morte é inerente à vida. Estou cansada de saber. Estou cansada de ver. Mas todo mundo tem aquele sentimento de que não acontece comigo, não acontece com aqueles que eu gosto. Todos aqueles que eu amo vão morrer bem velhinhos e lúcidos. E de repente, meu tio, alguém de 52 anos, vai embora sem avisar, no dia anterior sua vida estava como sempre foi, cheia de comida, bebida e alegria. E no dia seguinte tudo acabou. Estranho que a risada dele não sai da minha cabeça, "dá um beijin no tio", ele sempre dizia. Estranho que não parece real. Eu passava meses sem o ver, não tínhamos muito contato, mas sempre tive carinho por ele. E agora, não consigo acreditar que eu nunca mais vou ouvir sua risada e q...
Há alguns dias eu venho construindo dentro de mim o sentimento de amor próprio. Se amar, muitas vezes, envolve atos egoístas. Colocar a felicidade dos outros acima da sua própria parece muito bonito nos livros e séries, mas viver isso no dia-a-dia, pro resto da sua vida, não me parece nem um pouco justo. Há um tempo eu descobri que eu não era feliz, mas que eu fazia alguém muito feliz. E olha, aquela história piegas de que só isso já basta para sentir felicidade, não colou comigo não. Resolvi ir atrás da minha felicidade. Não joguei todos os nossos momentos alegres no lixo, nós tivemos sim esses momentos, vários (mas cada vez menos frequentes, caso você não tenha percebido). Mas a felicidade não seria uma sucessão de momentos alegres? Pra mim, é mais do que isso. Felicidade é o sentimento que fica, para além da alegria. É como uma linha de base positiva do humor, que oscila para momentos alegres (ainda mais positiva) e outros tristes (negativa). Minha linha de base estava neutra. E...
Me sinto estranha.  Com o coração apertado. Mas me sinto estranhamente livre e em paz. Incrivelmente, não há nenhum único eczema (manchas vermelhas) no meu corpo e não estou me coçando mais! Isso é meu corpo me dizendo que eu tomei a decisão certa? O coração apertado seria, talvez, por não saber como o outro está, e por saber que fiz mal para alguém que só me queria o bem e por quem eu tenho um carinho enorme? Hoje eu já não tenho mais certeza se o sentimento vai (ou já foi) além disso. Me sinto bem agora. Não estou mais enganando. Não estou mais em minha posição de conforto esperando a vida acontecer e torcendo para que as coisas se tornem diferentes (mas sem levantar um dedo pra isso). Levei um relacionamento durante muito tempo apenas pela comodidade. E isso estava me envenenando. Ter alguém disposto a te dar carinho, atenção, carona, comida e ainda um sexo gostoso é realmente tentador e parece ser a felicidade almejada por muitas. Mas não era pra mim. Me sentia pés...
Seres humanos são complexos. E não digo isso pensando na fisiologia ou na bioquímica. Um ser humano é formado por muito mais que um amontoado de células. Nós somos o conjunto dos nossos medos, desejos, emoções e experiências. Mas me arrisco a dizer que o medo é o fator mais importante nessa balança. Pelo menos pra mim.  Eu tenho medo do fracasso. E isso várias vezes me afastou do sucesso. Como? Eu explico. O medo de fracassar muitas vezes simplesmente me levou a não me esforçar, me levou a fingir desinteresse.  Por que quando a gente se esforça e ainda assim dá errado, não tem desculpa, é fracasso e pronto. Quando você deu o máximo de você e, mesmo assim, ainda deu errado quer dizer que o seu máximo não é suficiente!   Eu prefiro acreditar que eu nunca dei meu máximo. E que, se eu precisar, meu máximo será suficiente. Logo, posso dizer que eu nunca fracassei. Mesmo tendo fracassado inúmeras vezes. Essa lógica faz sentido para mais alguém? É exatamente e...
Hoje me lembrei deste texto que escrevi no inicio desse ano. Resolvi publicar para que ele não se perca. ................................. Hoje era ao mesmo tempo um dia como qualquer outro e era também o dia mais importante da vida de alguém... engraçado como uma dicotomia tão grande pode caber na mesma sala. A sala era apertada, tive que ficar só na portinha, bisbilhotando, apesar do cheiro de sangue, a expectativa e a felicidade que contagiavam a sala me convidavam a entrar, a cada momento me aproximava um pouco mais. Mas me mandaram ficar na porta, do lado de fora, e eu tinha que me esforçar pra permanecer com isso em mente. Queria participar. A atmosfera estava tão leve, o clima tão bom! Ouvi uma voz perguntando “como vai chamar a primeira?” “Maria Júlia” alguém respondeu de algum lugar. Admito que não é uma cena bonita, nós viemos ao mundo, sujos, roxos e ensanguentados, mas quando Maria Júlia chorou...
Hoje o assunto vai ser sexo. Eu perdi minha virgindade aos 18 anos. Tarde, considerando os padrões de hoje em dia. Foram 18 anos para acumular expectativas e especular sobre o assunto. Eu já nem tinha mais uma visão romantizada do assunto quando finalmente eu conheci o tal do sexo,  mas admito que eu esperava mais. Quando eu era adolescente, li a biografia da Maitê Proença, escrita por ela mesma, e ela disse no livro algo que me chamou muita atenção na época, ela disse que sexo era algo superestimado. Fiquei chocada. Como assim? Ah, ela só pode ter sido muito mal comida a vida toda, foi o que eu pensei. Eu ainda era virgem. Hoje, depois de  3 anos em um relacionamento estável, praticando sexo regularmente (pasmem, tendo orgasmos regularmente), eu não poderia concordar mais com ela, sexo é extremamente superestimado! É gostoso? É. Mas é trabalhoso,  é cansativo. E se sexo é só sobre prazer... existem prazeres mais fáceis. Chegar em casa, com o sol no céu ainda...